
O ex-presidente foi acusado de cinco crimes, incluindo tentativa de coup d’état.
O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil ordenou que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja julgado sob acusações de tentativa de coup d’état, após não conseguir a reeleição em 2022.
Bolsonaro, um ex-capitão do exército de extrema-direita que foi presidente do Brasil de 2019 a 2022, é acusado de cinco crimes, incluindo uma suposta tentativa de abolir violentamente a democracia. Ele repudiou as acusações como ‘graves e infundadas’.
Na quarta-feira, um painel de cinco juízes decidiu, por unanimidade, levar Bolsonaro a julgamento. Se for considerado culpado no processo judicial, que deve acontecer ainda este ano, ele poderá enfrentar uma longa sentença de prisão, isolando-o ainda mais. Até o momento, ele não nomeou um sucessor político.
No início da sessão, o juiz Alexandre de Moraes, que supervisiona o caso, apresentou imagens dramáticas dos apoiadores de Bolsonaro invadindo prédios governamentais em cenas violentas que ocorreram apenas uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023.
Moraes acrescentou que Bolsonaro liderou ‘um esforço sistemático para semear dúvidas sobre as máquinas de votação eletrônicas’ usadas no Brasil, como parte de suas tentativas de deslegitimar a eleição que perdeu.
Teresa Bo, correspondente da Al Jazeera em Buenos Aires, recordou as cenas caóticas e violentas de janeiro de 2023, quando os apoiadores de Bolsonaro invadiram a capital Brasília, recusando-se a aceitar a posse do novo presidente.
‘Uma semana após a posse de Lula, vimos milhares de apoiadores do presidente Bolsonaro invadindo prédios no Brasil… houve cenas de caos na capital… aproximadamente 1.500 pessoas foram detidas,’ ela informou.
O STF começou a revisar as acusações contra Bolsonaro e sete de seus mais próximos aliados na terça-feira, em uma sessão que Bolsonaro compareceu voluntariamente, sentado em silêncio na primeira fila, em um eco do julgamento de seu aliado, o ex-presidente dos EUA Donald Trump, no ano passado.
Na contagem regressiva para a audição histórica, Bolsonaro convocou um comício à beira-mar no Rio de Janeiro, na tentativa de capitalizar sobre a queda de popularidade de Lula e pressionar o Congresso a aprovar um projeto de anistia favorável a ele e a seus apoiadores presos.
A demonstração, que alguns aliados sugeriram que poderia atrair mais de um milhão de apoiadores, foi amplamente considerada um fiasco, após duas empresas de pesquisa independentes descobrirem que apenas entre 20.000 e 30.000 pessoas compareceram.
Enquanto isso, Bolsonaro continuou a afirmar que pretende concorrer à presidência novamente no próximo ano, apesar de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil que o baniu de concorrer a cargos públicos até 2030 por seus esforços para desacreditar o sistema de votação do país.
A forma como Bolsonaro gerenciou a crise da COVID-19 enquanto presidente também foi alvo de intensa investigação legal.

