Devastação em Mayotte
O ciclone Chido provocou uma grave crise na ilha francesa de Mayotte, resultando em uma catástrofe humanitária sem precedentes. Autoridades locais estimam que o número de mortos pode chegar a várias centenas ou até milhares, como declarado pelo Francois-Xavier Bieuville, um oficial francês que relatou: ‘Acredito que haverá vários centenas, talvez até um milhar ou até mesmo vários milhar’.
O ciclone atingiu a região na noite de sábado, 14 de dezembro de 2024, trazendo ventos superiores a 200 km/h e causando muitos danos a residências, prédios governamentais e até hospitais. O evento climático foi classificado como o pior que afetou o arquipélago em quase um século.
Impactos e Rescaldo
Durante uma conversa com a mídia local, Mohamed Ishmael, residente em Mamoudzou, descreveu a situação: ‘Honestamente, o que estamos vivendo é uma tragédia, você sente como se estivesse no rescaldo de uma guerra nuclear… Eu vi um bairro inteiro desaparecer’.
Além das fatalidades, a infraestrutura de Mayotte sofreu severos danos. Os serviços de emergência enfrentam dificuldades devido à destruição de estradas e sistemas de comunicação. Como afirmado por um funcionário do ministério do interior francês, ‘para calcular o número de mortos, será complicado, pois Mayotte é uma terra muçulmana onde os mortos são enterrados em 24 horas’.
Movimentação de Ajuda
A França mobilizou equipes de resgate e recursos para ajudar a ilha. A situação tornou-se mais crítica, com o acesso a água potável e alimentos comprometido. O Ministro do Interior, Bruno Retailleau, deve visitar Mayotte na segunda-feira junto com 160 soldados e bombeiros para auxiliar na recuperação.
Os locais atingidos, notadamente as favelas, sofreram danos extremos, com muitas casas destruídas. A presença de mais de 100.000 imigrantes indocumentados em Mayotte complica ainda mais a situação humanitária.
Próximos desafios
O ciclone Chido não apenas devastou Mayotte, mas também fez seu caminho em direção a Moçambique, onde se alertou que cerca de 2,5 milhões de pessoas podiam ser afetadas. Com a continuidade de chuvas intensas esperadas, as autoridades pedem atenção redobrada.
França, com seus legados coloniais, continua a enfrentar os desafios socioeconômicos que afetam suas regiões ultramarinas. A necessidade urgente de ajuda e da presença do governo é mais evidente agora do que nunca.
