Bev Lawton: Pioneira na Saúde da Mulher é Nomeada Neozelandesa do Ano

Bev Lawton, uma figura extraordinária no campo da saúde feminina, foi recentemente nomeada a Neozelandesa do Ano. Sua trajetória na medicina revelou a importância da informação e do empoderamento na saúde da mulher, principalmente no que diz respeito ao câncer cervical e à menopausa.

Durante seus 17 anos como médica de atenção primária, Lawton experienciou em primeira mão as desigualdades que as mulheres enfrentam no sistema de saúde. ‘Estamos numa posição de cidadãs de segunda classe e de terceira classe se você é Māori e mulher’, afirmou Lawton, destacando a necessidade urgente de mudança.

Um dos momentos que marcaram sua carreira foi seu atendimento a uma paciente que se queixava de suores noturnos. Após a análise da situação, Lawton compreendeu que a informação era essencial para o bem-estar da paciente. ‘Ela disse: ‘Eu só queria saber o que era. Minha irmã tem câncer e eu pensei que estava morrendo”, revelou Lawton. A partir desse insight, ela fundou a Clínica de Menopausa de Wellington, que oferece suporte completo às mulheres que enfrentam essa fase da vida.

A luta de Lawton se estende também ao combate do câncer cervical. Um marco significativo em sua carreira foi a introdução da vacina contra o HPV na Nova Zelândia em 2008, que ela ajudou a implementar nas escolas. ‘Se conseguimos erradicar a pólio, por que não erradicar o HPV?’, questionou, enfatizando a importância da vacinação. Sua defesa da triagem de autoexame para o câncer cervical representou outro grande avanço. Nova Zelândia se tornou o primeiro país de alta renda a adotar essa prática.

Professor Bev Lawton segurando o autoexame de HPV.

Para muitos especialistas, o câncer cervical é um evento adverso que deveria ser erradicado. Lawton enfatiza: ‘Um evento adverso sério em um hospital significa que não deveria ter acontecido’. Ela faz um apelo ao governo neozelandês para investir em uma estratégia de eliminação do câncer cervical. ‘O dia em que decidirmos como país que vamos eliminar o câncer cervical será o dia em que eu ficarei muito feliz.’, destacou Lawton.

Além de seu trabalho em saúde feminina, Lawton expressa seu desejo de abordar outras doenças que afetam as mulheres, como o câncer do útero e a sífilis congênita. Ela se mostra esperançosa em que mais mulheres reconheçam as oportunidades de melhorar a saúde pública e se juntem à causa.

Apesar de evitar os holofotes, Lawton se sente privilegiada por ser reconhecida como uma das finalistas do prêmio Kiwibank Neozelandesa do Ano. Ela atribui seu sucesso a sua equipe e à comunidade que apoia seu trabalho. ‘Aprendi muito sobre como trabalhar na comunidade e como ser parceira, e nós não somos o parceiro sênior… a comunidade é’, finalizou.

Georgina Campbell é uma repórter baseada em Wellington, com interesse particular em governo local, transporte e questões sísmicas. Ela se juntou ao Herald em 2019, após atuar como jornalista de transmissão.

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