Aumento alarmante das mortes em prisões na Escócia
Um novo relatório do Centro Escocês de Pesquisa em Justiça Criminal (SCCJR) revelou que o número de óbitos nas prisões escocesas aumentou em um chocante 60% no último ano, totalizando 64 mortes em 2024, em comparação com 40 em 2023.
Segundo os pesquisadores, a taxa de mortalidade nas prisões da Escócia mais do que dobrou na última década, colocando o país entre os mais altos da Europa. O Serviço Prisional Escocês (SPS) declarou que cada morte sob custódia é ‘uma tragédia para todos que conheceram e apoiaram o indivíduo’.
Principais causas das mortes
De acordo com o relatório, 17 das mortes foram suicídios ou aparentes suicídios, enquanto 10 estavam relacionadas a drogas e 27 eram atribuídas a condições de saúde ou incidentes. Além disso, um caso foi classificado como homicídio e outro como “outros/acidente”. As restantes oito mortes permanecem indeterminadas ou sob investigação.
Professor Sarah Armstrong, que liderou a pesquisa, comentou: ‘Esse aumento é absolutamente impressionante. É sem precedentes.’ É importante destacar que o nível geral de mortes em custódia em 2024 foi o mais alto desde o início dos registros modernos, em 1995.
Cultura organizacional nas prisões
O relatório também indicou que as mortes por suicídio têm aumentado desde 2016 e podem ter alcançado um número recorde no ano passado. Professor Armstrong expressou encorajamento em relação à reação do SPS após um relatório sobre as mortes de Katie Allan, 21, e William Brown, 16, que se suicidaram em 2018.
No entanto, ela destacou que existem questões relacionadas à ‘cultura organizacional’ nas prisões escocesas, afirmando que deve haver uma mudança na forma como as mortes são tratadas, que não devem ser vistas como normais.
A mãe de Katie Allan, Linda, que é coautora do relatório, declarou em um comunicado: ‘Precisamos de investigações independentes e oportunas para cada morte que ocorre enquanto uma pessoa está sob cuidados estatais.’
Fatores alarmantes e o caminho a seguir
O relatório também enumerou fatores como qualidade do ar, acesso a cuidados de saúde, períodos prolongados trancados em celas e aumento da isolação, que podem contribuir para a perda de esperança entre os detentos. Professora Armstrong acrescentou que um padrão recorrente foi identificado nas mortes, com funcionários não realizando verificações adequadas nas celas e preocupações de saúde sendo tratadas como ‘comportamento em busca de drogas’.
Adicionalmente, as autoridades notaram que a necessidade de melhorar a cultura organizacional e as relações entre os indivíduos dentro das prisões é crucial para prevenir novas fatalidades, ressaltando que ‘tecnologias e novos prédios não vão resolver isso — é o elemento humano.’
Mortalidade nas prisões comparativas
De acordo com o relatório, a taxa de mortalidade nas prisões da Escócia era de 592.8 mortes por 100.000 habitantes, em comparação com 368 por 100.000 na Inglaterra e no País de Gales. A pesquisa sugere que o aumento significativo na Escócia não pode ser explicado apenas pelo aumento da população carcerária, que cresceu apenas cerca de 4.5% no mesmo período.
A governo escocês declarou que cada morte sob custódia é trágica e que irá ‘considerar cuidadosamente as descobertas deste relatório anual sombrio’, enfatizando a saúde e o bem-estar de todos os detentos como uma prioridade.
Esse aumento na mortalidade traz à tona uma necessidade urgente de revisões e melhorias no sistema prisional escocês, para garantir um tratamento mais humano e seguro para todos os detentos.
