
A vice-presidente e editora-executiva da agência de notícias AP, Julie Pace, afirmou na sexta-feira (28.mar.2025) que a agência não faz oposição ao governo Trump e insistirá na Justiça para conseguir voltar a integrar o pool de veículos de comunicação com acesso a áreas restritas da Casa Branca.
“Se nós não nos impormos, quem irá?”, perguntou Pace durante uma palestra em um evento na Universidade do Texas em Austin. A AP foi excluída do pool de imprensa da Casa Branca em 11 de fevereiro de 2025.
Segundo a agência, para manter o veículo no grupo, o governo dos Estados Unidos teria exigido que a AP passasse a usar “golfo da América” em vez de “golfo do México”. Em janeiro, quando tomou posse, o presidente Donald Trump (Partido Republicano) determinou, em decreto, a renomeação de locais e monumentos relacionados ao país, incluindo o golfo do México.
Na quinta-feira (27.mar), a AP reiterou o pedido feito à Corte Distrital do Distrito de Columbia para reaver a permissão da agência de participar de eventos no Salão Oval e no avião presidencial (Força Aérea Um).
A audiência na quinta-feira terminou sem uma decisão do juiz federal Trevor McFadden. De acordo com a AP, não há um prazo para o juiz apreciar o caso.
O advogado do governo norte-americano relatou que a AP não foi impedida de frequentar a Casa Branca ou de cobrir eventos do Executivo.
Para a administração de Trump, não há qualquer limitação à liberdade de expressão na decisão de retirar a agência do seleto grupo de veículos jornalísticos com acesso às áreas restritas.
PAINEL NO TEXAS
Julia Pace participou na sexta-feira (28.mar) de um painel surpresa do ISOJ (International Symposium on Online Journalism) na Universidade do Texas em Austin. O painel foi anunciado minutos antes de sua realização.
Durante sua fala, Julie Pace destacou que a AP é lida por mais de 4 bilhões de pessoas ao redor do mundo diariamente e que suas notícias são republicadas em veículos de mais de 100 países. Esta foi uma das razões mencionadas para manter a nomenclatura “golfo do México”.
O Wall Street Journal publicou um artigo de Pace em 26 de março, onde defendeu que o processo movido pela AP não se limita à discussão sobre a nomenclatura de um corpo d’água, mas trata da liberdade de expressão.
“Para quem acha que o processo da Associated Press contra a Casa Branca de Trump se resume ao nome de um corpo d’água, é hora de ampliar a visão. Trata-se, na essência, de saber se o governo pode ditar o que você diz. A liberdade de comentar política e consumir notícias sem interferência ou intimidação estatal é pilar da democracia americana e está protegida pela Primeira Emenda da Constituição”, afirmou Pace.
Ela ainda destacou que o impacto é brutal para veículos regionais e locais nos EUA, que dependem da AP para publicarem notícias sobre o executivo do país.
Segundo Pace, o trabalho da AP é essencialmente “apartidário”, tendo em vista que precisa ser percebido como “imparcial” pelos leitores de “Estados vermelhos” e “Estados azuis”.
“A Associated Press não está aqui para ser oposição ao governo Trump. Nós tivemos uma boa relação durante o 2º mandato do atual presidente, tivemos uma boa relação durante a última corrida presidencial, tivemos uma boa relação durante o período de transição e início do 2º governo.”
POOL DE IMPRENSA DA CASA BRANCA
O pool de imprensa da Casa Branca foi formalizado em 1914, com a criação da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA). A iniciativa surgiu para garantir acesso e gerenciar a cobertura em eventos restritos e é coordenada pela WHCA.
Em 21 de fevereiro, a Casa Branca anunciou que assumiria o controle do pool de imprensa, revertendo a prática de longa data em que os próprios profissionais da imprensa definiram os participantes.
O QUE É A ASSOCIATED PRESS
A Associated Press é uma das mais antigas agências de notícias do mundo, fundada em 1846 nos Estados Unidos por cinco jornais para compartilhar custos de transmissão de notícias. Evoluiu para uma cooperativa não lucrativa, pertencendo a seus integrantes.
Seu modelo de negócios fornece serviços de notícias em texto, fotos, gráficos e transmissões a seus integrantes e assinantes, mantendo um foco no jornalismo objetivo. A exclusão da AP do pool pode deixar de fazer registros históricos de presidentes dos Estados Unidos, como na icônica foto de Trump em um evento na Pensilvânia, registrada por um jornalista da AP.

