Novo modelo de crédito consignado: O que esperar e como usá-lo com responsabilidade?

Desde a semana passada, os trabalhadores do setor privado têm à disposição um novo modelo de crédito consignado, semelhante ao que já era oferecido aos aposentados do INSS e servidores públicos. Por meio de uma plataforma do governo, é possível receber ofertas de empréstimos com desconto na folha, conhecido como Crédito do Trabalhador.

A concorrência entre os bancos busca oferecer juros mais competitivos que os praticados até então, garantidos pelo desconto automático e pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). No entanto, analistas financeiros fazem um alerta importante: é crucial utilizar esse e qualquer tipo de crédito com moderação.

Expectativa em crescimento

Embora a operação do novo crédito consignado ainda seja recente, representantes do governo e do setor financeiro reconhecem que a competição está, por enquanto, limitada. O governo espera um aumento significativo na participação das instituições financeiras a partir de abril.

Até as 17h da última terça-feira, o Crédito do Trabalhador já havia liberado R$ 340,3 milhões em empréstimos, com um total de 48.170 contratos firmados, e um valor médio de R$ 7.065,14 por trabalhador, com parcelas médias de R$ 333,88 e prazo médio de 21 meses. A carteira do consignado antes do novo programa era de R$ 40 bilhões.

Taxas de juros: O que esperar?

Um relatório do banco J.P. Morgan indicou que o crédito consignado privado deve começar a ganhar mais adesão após o dia 25 de abril, quando os bancos poderão oferecer o crédito diretamente em seus próprios aplicativos. Nesse cenário, as taxas de juros variam entre 2,99% e 4,99% ao mês, mas foi observado que as propostas muitas vezes diferem das solicitações originais. Além disso, a maioria dos grandes bancos ainda não entrou no jogo, exceto a Caixa.

O que saber antes de contratar?

Os trabalhadores têm a opção de oferecer até 10% do FGTS como garantia ou 100% da multa rescisória. Contudo, não é obrigatório apresentar garantias. As instituições financeiras irão avaliar o risco antes de conceder o crédito, e o trabalhador não pode comprometer mais de 35% de sua renda com as parcelas.

Delber Lage, CEO da SalaryFits, comenta sobre possíveis obstáculos técnicos que podem elevar as taxas de juros neste início: ‘Os bancos precisam precificar rapidamente. O trabalhador faz um pedido e os bancos têm 24 horas para apresentar uma proposta, o que limita a avaliação do risco.’

Por outro lado, Luciana Ikedo, planejadora financeira, defende que, para quem não tem urgência, pode ser mais vantajoso esperar por propostas mais ajustadas. Mas se a pessoa já está endividada, o consignado poderá oferecer um alívio financeiro.

Importância da comparação

Antes de decidir, é fundamental que o trabalhador compare ofertas e simule as parcelas, compreendendo o impacto no orçamento. A plataforma revela prazos curtos para decisão em algumas ofertas, que podem chegar a apenas 24 horas.

Movimento dos bancos

A Caixa continua sendo a instituição mais ativa na modalidade, enquanto o Santander já se comprometeu a oferecer o crédito consignado. O Nubank, por sua vez, ainda não tem uma data definida para a adesão ao programa. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ressaltou que é natural que novos produtos passem por períodos de teste.

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